Mitologia
O termo mitologia pode referir-se tanto ao estudo de mitos, ou a um conjunto de mitos.1 Por exemplo, mitologia comparada é o estudo das conexões entre os mitos de diferentes culturas,2 ao passo que mitologia grega é o conjunto de mitos originários da Grécia Antiga. O termo "mito" é frequentemente utilizado coloquialmente para se referir a uma história falsa,3 4 mas o uso acadêmico do termo não denota geralmente um julgamento quanto à verdade ou falsidade.4 5 No estudo de folclore, um mito é uma narrativa sagrada que explica como o mundo e a humanidade veio a ser da forma que é atualmente.5 6 7 Muitos estudiosos em outros campos usam o termo "mito" de forma um pouco diferente.7 8 9 Em um sentido muito amplo, a palavra pode se referir a qualquer história tradicional.10
Os mitos são, geralmente, histórias baseadas em tradições e lendas feitas para explicar o universo, a criação do mundo, fenômenos naturais e qualquer outra coisa a que explicações simples não são atribuíveis. Mas nem todos os mitos têm esse propósito explicativo. Em comum, a maioria dos mitos envolvem uma força sobrenatural ou uma divindade, mas alguns são apenas lendas passadas oralmente de geração em geração.
Figuras mitológicas são proeminentes na maioria das religiões e a maior parte das mitologias estão atadas a pelo menos uma religião. Alguns usam a palavra mito e mitologia para desacreditar as histórias de uma ou mais religiões.
O termo é freqüentemente associado às descrições de religiões fundadas por sociedade antigas como mitologia romana, mitologia grega, mitologia egípcia e mitologia nórdica, que foram quase extintas. No entanto, é importante ter em mente que enquanto alguns vêem os panteões nórdicos e célticos como meras fábulas outros os têm como religião (ver Neopaganismo).
Perséfone, deusa da terra e da agricultura na mitologia grega, foi a única filha de Zeus e de Demeter. Na mitologia grega depois também ficou conhecida
como a rainha do mundo infernal, ela ficava vigiando as almas e sabia os
segredos das trevas.
A deusa
da agricultura sempre se preocupava apenas em colher flores, mas foi crescendo e com isso sua beleza foi encantando a todos, e
encantou o deus Hades, o
senhor dos mortos, que pediu a deusa em casamento. Porém, Demeter não queria que eles se casassem, mas Hades mesmo assim não
desistiu da deusa e continuou a persegui-la. Até que um dia Perséfone estava
colhendo narcisos, e de repente Hades apareceu da terra em sua carruagem e
levou a deusa para o mundo dos mortos.
Demeter
não se conformou a com a situação de sua filha e obrigou que Zeus atendesse seu
pedido, foi então que ele pediu a Hades que devolvesse sua filha. Hades não
devolveu Perséfone e ainda conseguiu um plano para que ela continuasse com ele.
Ele deu à Perséfone uma Romã, que era o fruto do casamento. Como a deusa tinha
comido os grãos, não podia deixar mais seu marido, foi então que Perséfone
passava um período com sua mãe e outro com seu marido, e se torna a sombria Proserpina.
Deste momento em diante, a cada vez que ela estava com seu marido virava
inverno na terra, e quando estava no Olimpo com sua mãe se tornava novamente uma adolescente
e chegava a primavera, o verde da natureza fazia brotar muitas flores
e frutos. E mesmo sendo uma relação muito complicada, vive com muito amor com
seu marido Hades.
Perséfone,
por sua beleza sempre atraiu muitos olhares. É inimiga de Afrodite por ser esta ser muito bela. Até Zeus, seu pai, se
sentiu atraído por sua filha e conta-se que tiveram um filho juntos em forma de
serpente, que seria o Sabázio. Também teve um amor com Hércules e com ele teve
um filho, o Zagreus.
Afrodite
e Perséfone além de ficarem rivais pela beleza, também lutaram pela posse de
Adônis, um belo rapaz que era amado por ambas. Afrodite para preservar Adônis o
prendeu em um baú e mandou a Perséfone para que ela cuidasse, mas ao chegar às
mãos dela, ela abriu o baú e se encantou com sua beleza e se recusou a devolver
para Afrodite. Foi então que Zeus decidiu que Adônis ficaria um terço do tempo
com Afrodite e outro terço com Perséfone, e os outros dias faria o que ele
quisesse.
Eros
Deus grego do amor, também conhecido como Cupido,
Amor em latim, que apesar de sua excepcional beleza ser altamente
valorizada pelos gregos, seu culto tinha modesta importância. Era filho de Afrodite e seu companheiro constante e
com seu arco ele disparava flechas de amor nos corações dos deuses e dos
humanos. Sua mãe havia sentido ciúme de Psiquê, cuja beleza causava tumulto por
onde ela passasse. A deusa ordenou que ele fizesse com que Psiquê se apaixonasse por alguma pessoa
de nível muito baixo. Ele a encontrou enquanto ela dormia e, como acabou
acordando-a ao tocá-la com uma de suas flechas, ficou tão maravilhado por sua
beleza que, acidentalmente, aranhou a si mesmo com a flecha e se apaixonou por
ela. Levou-a dali para bem longe, para um maravilhoso palácio e ia visitá-la
todas as noites. Sem nenhuma ajuda visível, todos os desejos de Psiquê eram cumpridos. Durante muito
tempo, ela não havia olhado para o seu amado, pois este lhe tinha proibido de
olhá-lo, uma vez que ele queria que o amasse, como humano, e não como um deus.
Mas a curiosidade finalmente se apoderou dela e uma noite, enquanto ele dormia,
ela ascendeu uma lâmpada e segurou-a por cima dele para vê-lo. Mas uma gota de
óleo quente caiu em seu peito que, sem pronunciar uma palavra, abriu suas belas
asas e voou pela janela afora. O palácio e tudo o que ele continha desapareceu.
Psiquê vagou dias e noites procurando-o,
enquanto ele estava preso no quarto da mãe por causa de sua ferida. Afrodite, irritada com Psiquê por ter conquistado seu filho,
deu-lhe uma imensa punição. Recuperado ele dirigiu-se a Zeus e pediu o perdão para sua amada e
que a casasse com ele, tornando-a imortal. Então Hermes foi enviado para apanhar Psiquê e levá-la ao Olimpo. Quando ela
lá chegou, Zeus deu-lhe um copo de néctar de ambrósia
divina para beber, tornando-a assim imortal e unindo-os para sempre
Tânato[s]
O deus da
morte da mitologia grega nascido antes da criação da humanidade por Prometeu, que servia à Hades trazendo-lhe súditos, e em geral
é mostrado como um espírito alado e é irmão gêmeo de Hipnos, o deus do
sono. Como seus irmãos sofredores e libertários, era filho de Érebo e de
Nyx, deusa da Noite, filha da união entre o Caos e a Escuridão.
Era representado como um jovem alado portando uma tocha apagada. Embora
bastante utilizado na arte e poesia, sua adoração era apenas significativa em
Esparta, onde era alvo do culto popular. Foi descrito por Eurípides (484-406 a. C.) como
uma figura sinistra coberta de negro, passeando entre os homens e com uma faca
na mão. Porém outros autores gregos o descreveram com uma aparência menos
hostil e com asas. Para os gregos era um deus, mas para os romanos era uma
deusa e chamada de Mors. Existe uma lenda que narra como o jovem Sísifo, o rebelde, astucioso e esperto
fundador e primeiro rei de Corinto, o derrotou e o aprisionou quando este veio
buscá-lo, dando, portanto, imortalidade às pessoas. Por algum tempo os homens
não morriam, até que Ares o libertou. Sísifo foi condenado a descer aos
infernos e teve sua punição final nos moldes da concepção grega do inferno como
lugar onde se realizam trabalhos infrutíferos. Castigado após a morte, por
tentar dar poderes divinos aos humanos, à rolar continuamente uma pedra pela
montanha acima, em uma tarefa eterna, pois uma vez colocada no alto, a pedra
rola novamente para o pé da montanha. Além dele, existiam a serviço do deus dos
inferiores Hades, as serviçais Erínias,
as Fúrias para os romanos, conhecidas como as deusas vingadoras
que buscavam os criminosos, e as Keres, deusas da morte violenta
para buscar os mortais comuns.
mares nunca dantes navegados
Esta oração encontra-se em "Os Lusíadas" de
Camões - uma epopéia que, portanto, se divide em PROPOSICÃO, INVOCAÇÃO,
DEDICATÓRIA e NARRAÇÃO. A oração supracitada encontra-se logo no início da
proposição:
"As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino , que tanto sublimaram; ..."
"As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino , que tanto sublimaram; ..."
Auto da
Lusitânia, de Gil Vicente
O Auto da Lusitânia, uma
das últimas peças de Gil vicente, foi escrito em 1531 e representado pela
primeira vez em 1532, perante a corte de D. João III quando nasceu seu filho,
D. Manuel.
A peça trata das bodas de Lusitânia e Portugal (personagens mitológicos), mas Gil Vicente, como muitas vezes faz, mistura no enredo e nos diálogos muitos temas, personagens, e cenas que constituem como "diversões" à margem do tema maior.
Lusitânia é filha de Lisibea (Lisboa) e do Sol, e por ela se apaixonou um caçador grego de nome Portugal. Quando os amores parecem desencaminhar-se, acorrem às deusas (diesas) gregas, com cuja proteção se decide então o casamento. Este o tema, que se desenrola da seguinte maneira: comça o auto com vários diálogos e recitativos de pessoas comuns acerca dos assuntos de amor e outros, alguns picarescos como convém a uma farsa, até que entra em cena o Licenciado, que faz o papel de narrador e representa Gil Vicente; ele introduz o tema das bodas dizendo que o Sol viu Lisibea nua sem nenhuma cobertura (...) e houve dela uma filha tão ornada se sua luz, que lhe puseram nome Lusitânia, que foi diesa e senhora desta Província. Passados tempos, um famoso cavaleiro grego de nome Portugal ouviu falar da boa caça na serra de Sintra (serra da Solércia), e como este Portugal, todo fundado em amores, visse a formosura sobrenatural de Lusitânia, filha do Sol, improviso se achou perdido por ela.
O texto tem ressonâncias no presente de Gil Vicente, que busca formar um panorama de sua terra, apreendendo a totalidade de suas raízes culturais.
O Auto da Lusitânia classifica-se como uma fantasia alegórica. A peça é dividida em duas partes distintas:
- na primeira parte, assiste-se às atribuições de uma família judaica;
- na segunda parte, assiste-se ao casamento de Portugal, cavaleiro grego, com a princesa Lusitânia. Dois demônios, Belzebu e Dinato, que aparecem no texto vêm presenciar o casamento e escutam o diálogo entre Todo o Mundo e Ninguém.
O autor deu o nome de Todo o Mundo e Ninguém às suas personagens principais desta cena. Pretendeu com isso fazer humor, caracterizando o rico mercador, cheio de ganância, vaidade, petulância, como se ele representasse a maioria das pessoas na terra (todo o mundo). E atribuindo ao pobre, virtuoso, modesto, o nome de Ninguém, para demonstrar que praticamente ninguém é assim no mundo.
"Todo o Mundo" era um rico mercador, e "Ninguém", um homem pobre. Belzebu e Dinato tecem comentários espirituosos, fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens.
Vejamos:
Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:
Ninguém: Que andas tu aí buscando?
Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando
por quão bom é porfiar.
Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?
Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro
e sempre nisto me fundo.
Ninguém: Eu hei nome Ninguém,
e busco a consciência.
Belzebu: Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.
Dinato: Que escreverei, companheiro?
Belzebu: Que Ninguém busca consciência.
e Todo o Mundo dinheiro.
Ninguém: E agora que buscas lá?
Todo o Mundo: Busco honra muito grande.
Ninguém: E eu virtude, que Deus mande
que tope com ela já.
Belzebu: Outra adição nos acude:
escreve logo aí, a fundo,
que busca honra Todo o Mundo
e Ninguém busca virtude.
Ninguém: Buscas outro mor bem qu'esse?
Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse
tudo quanto eu fizesse.
Ninguém: E eu quem me repreendesse
em cada cousa que errasse.
Belzebu: Escreve mais.
Dinato: Que tens sabido?
Belzebu: Que quer em extremo grado
Todo o Mundo ser louvado,
e Ninguém ser repreendido.
Ninguém: Buscas mais, amigo meu?
Todo o Mundo: Busco a vida a quem ma dê.
Ninguém: A vida não sei que é,
a morte conheço eu.
Belzebu: Escreve lá outra sorte.
Dinato: Que sorte?
Belzebu: Muito garrida:
Todo o Mundo busca a vida
e Ninguém conhece a morte.
Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,
sem mo Ninguém estorvar.
Ninguém: E eu ponho-me a pagar
quanto devo para isso.
Belzebu: Escreve com muito aviso.
Dinato: Que escreverei?
Belzebu: Escreve
que Todo o Mundo quer paraíso
e Ninguém paga o que deve.
Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar,
e mentir nasceu comigo.
Ninguém: Eu sempre verdade digo
sem nunca me desviar.
Belzebu: Ora escreve lá, compadre,
não sejas tu preguiçoso.
Dinato: Quê?
Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso,
E Ninguém diz a verdade.
Ninguém: Que mais buscas?
Todo o Mundo: Lisonjear.
Ninguém: Eu sou todo desengano.
Belzebu: Escreve, ande lá, mano.
Dinato: Que me mandas assentar?
Belzebu: Põe aí mui declarado,
não te fique no tinteiro:
Todo o Mundo é lisonjeiro,
e Ninguém desenganado.
A peça trata das bodas de Lusitânia e Portugal (personagens mitológicos), mas Gil Vicente, como muitas vezes faz, mistura no enredo e nos diálogos muitos temas, personagens, e cenas que constituem como "diversões" à margem do tema maior.
Lusitânia é filha de Lisibea (Lisboa) e do Sol, e por ela se apaixonou um caçador grego de nome Portugal. Quando os amores parecem desencaminhar-se, acorrem às deusas (diesas) gregas, com cuja proteção se decide então o casamento. Este o tema, que se desenrola da seguinte maneira: comça o auto com vários diálogos e recitativos de pessoas comuns acerca dos assuntos de amor e outros, alguns picarescos como convém a uma farsa, até que entra em cena o Licenciado, que faz o papel de narrador e representa Gil Vicente; ele introduz o tema das bodas dizendo que o Sol viu Lisibea nua sem nenhuma cobertura (...) e houve dela uma filha tão ornada se sua luz, que lhe puseram nome Lusitânia, que foi diesa e senhora desta Província. Passados tempos, um famoso cavaleiro grego de nome Portugal ouviu falar da boa caça na serra de Sintra (serra da Solércia), e como este Portugal, todo fundado em amores, visse a formosura sobrenatural de Lusitânia, filha do Sol, improviso se achou perdido por ela.
O texto tem ressonâncias no presente de Gil Vicente, que busca formar um panorama de sua terra, apreendendo a totalidade de suas raízes culturais.
O Auto da Lusitânia classifica-se como uma fantasia alegórica. A peça é dividida em duas partes distintas:
- na primeira parte, assiste-se às atribuições de uma família judaica;
- na segunda parte, assiste-se ao casamento de Portugal, cavaleiro grego, com a princesa Lusitânia. Dois demônios, Belzebu e Dinato, que aparecem no texto vêm presenciar o casamento e escutam o diálogo entre Todo o Mundo e Ninguém.
O autor deu o nome de Todo o Mundo e Ninguém às suas personagens principais desta cena. Pretendeu com isso fazer humor, caracterizando o rico mercador, cheio de ganância, vaidade, petulância, como se ele representasse a maioria das pessoas na terra (todo o mundo). E atribuindo ao pobre, virtuoso, modesto, o nome de Ninguém, para demonstrar que praticamente ninguém é assim no mundo.
"Todo o Mundo" era um rico mercador, e "Ninguém", um homem pobre. Belzebu e Dinato tecem comentários espirituosos, fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens.
Vejamos:
Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:
Ninguém: Que andas tu aí buscando?
Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando
por quão bom é porfiar.
Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?
Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro
e sempre nisto me fundo.
Ninguém: Eu hei nome Ninguém,
e busco a consciência.
Belzebu: Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.
Dinato: Que escreverei, companheiro?
Belzebu: Que Ninguém busca consciência.
e Todo o Mundo dinheiro.
Ninguém: E agora que buscas lá?
Todo o Mundo: Busco honra muito grande.
Ninguém: E eu virtude, que Deus mande
que tope com ela já.
Belzebu: Outra adição nos acude:
escreve logo aí, a fundo,
que busca honra Todo o Mundo
e Ninguém busca virtude.
Ninguém: Buscas outro mor bem qu'esse?
Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse
tudo quanto eu fizesse.
Ninguém: E eu quem me repreendesse
em cada cousa que errasse.
Belzebu: Escreve mais.
Dinato: Que tens sabido?
Belzebu: Que quer em extremo grado
Todo o Mundo ser louvado,
e Ninguém ser repreendido.
Ninguém: Buscas mais, amigo meu?
Todo o Mundo: Busco a vida a quem ma dê.
Ninguém: A vida não sei que é,
a morte conheço eu.
Belzebu: Escreve lá outra sorte.
Dinato: Que sorte?
Belzebu: Muito garrida:
Todo o Mundo busca a vida
e Ninguém conhece a morte.
Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,
sem mo Ninguém estorvar.
Ninguém: E eu ponho-me a pagar
quanto devo para isso.
Belzebu: Escreve com muito aviso.
Dinato: Que escreverei?
Belzebu: Escreve
que Todo o Mundo quer paraíso
e Ninguém paga o que deve.
Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar,
e mentir nasceu comigo.
Ninguém: Eu sempre verdade digo
sem nunca me desviar.
Belzebu: Ora escreve lá, compadre,
não sejas tu preguiçoso.
Dinato: Quê?
Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso,
E Ninguém diz a verdade.
Ninguém: Que mais buscas?
Todo o Mundo: Lisonjear.
Ninguém: Eu sou todo desengano.
Belzebu: Escreve, ande lá, mano.
Dinato: Que me mandas assentar?
Belzebu: Põe aí mui declarado,
não te fique no tinteiro:
Todo o Mundo é lisonjeiro,
e Ninguém desenganado.