próximas datas de avaliações

Avaliações para os alunos que apresentaram atestado médico :
17/06 ( todas as turmas )

Trabalhos especiais - avaliação : 17/06
2º A
Amanda Maia : O seminarista - Bernardo Guimarães
David : O guarani - José de Alencar
Talita : A moreninha - Joaquim Manuel de Macedo
3º A
Alan : Vidas Secas - Graciliano Ramos

Avaliações
9o A
avaliação : 21/05
recuperação : 28/05
literatura : 10/06
recuperação : 02/07

2o A
avaliação gramatical : 21/05
recuperação : 28/05
avaliação de literatura : 10/06
recuperação ( simulado ) : 02/07

3o A
avaliação de literatura : 27/05
recuperação : 29/05
avaliação gramatical : 18/06
recuperação ( simulado ) : 02/07

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Revisar nossos textos



Revisar nossos próprios textos

(Hélio Consolaro )

Escrevo há algum tempo, tenho 31 anos de ensino da língua portuguesa, mas não dispenso a revisão de meus textos por uma outra pessoa, mesmo que tenha menos experiência.

Minha editora, aqui na Folha, sabe disso, apesar de eu ser o consultor de língua portuguesa do jornal, não dispenso revisão, leitura atenta de meus textos. Não sou infalível, meu substrato lingüístico (italiano da Água Limpa) me trai e meus olhos são cooptados por meu cérebro.

Recomendo isso a meus alunos, quando devem construir o texto em sala de aula, que o colega do lado faça a revisão. Quando o texto é feito em casa, como tarefa, recomendo-lhes que peça a alguém que revise sua primeira versão (o rascunho): pai, mãe, irmão ou irmã. Ou, então, faça a revisão noutro dia, deixe o texto dormindo na gaveta, tempo suficiente para haver um distanciamento crítico.

Nos exames vestibulares, caso redação e questões sejam feitos num só período, escreva primeiro o rascunho, responda às perguntas e depois passe a limpo seu texto, fazendo antes uma revisão.

Isso traz duas vantagens: o rascunho foi feito com o cérebro descansado e ganhou um pequeno distanciamento crítico.

Recebi um texto da leitora Denise Casatti, araçatubense e jornalista que atua em São Paulo. Ele prova como nossos olhos nos enganam, ou melhor, nosso cérebro. Reproduzo-o aqui:

De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

PS: Srea que é por isso que é tão dicífil cirrgoir nsooss pórripos txesots?

*Hélio Consolaro é professor de Redação, coordenador deste site, cronista do jornal Folha da Região e presidente da Academia Araçatubense de Letras.


 

Redação nos vestibulares



Redação nos vestibulares

(Prof. Hélio Consolaro )

 

Paulatinamente, a prova de redação vem ganhando peso nos vestibulares. Como exemplo, o valor dela na soma total de pontos no exame das Faculdades Toledo de Araçatuba passou de 40% para 50%. Isto quer dizer que o total das notas de todas as outras matérias equivale à nota de redação. Isso demonstra que o ingresso na universidade depende cada vez mais de saber redigir.

Infelizmente, há alunos da 3ª série do 2º grau e de cursinhos que não perceberam esse fato, por isso não valorizam as aulas de redação ou não se submetem aos exercícios propostos pelo professor.

Sempre repito que o processo de alfabetização é contínuo, mas ganha qualidade quando a pessoa conseguir pôr no papel aquilo que pensa. Dizer que sabe, mas não consegue colocar o pensamento no papel, revela deficiência no domínio da língua escrita.

Redigir bem significa ler sempre, redigir bem exige exercício constante da escrita, por isso a leitura nunca é tempo perdido, e escrever com constância é um hábito saudável. O adolescente que tem o hábito de fazer diário possui mais facilidade em redigir, pois exercita a escrita com mais freqüência.

Escrever não é vocação, é aprendizado. Como se aprende a bordar, mexer no computador, aprende-se também a escrever. Existem técnicas para isso.

Caro leitor, se você precisa passar nos vestibulares e quer ter condições de acompanhar o curso escolhido depois de aprovado, dedique-se com perseverança à aprendizagem de redação.

 

Dissertação nos vestibulares

Prof. Hélio Consolaro

Leia bem a proposta de redação, gaste alguns minutos para entendê-la, pese e meça cada palavra, perceba se ela está no sentido denotativo ou conotativo, tudo isso faz parte da produção de um bom texto.

Se a proposta estiver solicitando sua opinião, não tenha medo de emiti-la. A banca irá examinar o texto e não, a opinião. Se você apresentou boa argumentação, escreveu coisa com coisa, períodos e parágrafos interligados, isso é o que vale. Seja sincero.

Caso tenha uma opinião formada, a sua tese já está elaborada, é só registrá-la adequadamente no primeiro parágrafo, depois argumente a favor dela no segundo e no terceiro parágrafo, apresente um exemplo no quarto e conclua no quinto, reafirmando a tese.

Não transforme seu texto em desabafo nem em panfleto, com linguagem apaixonada. A emoção deve ficar no rascunho, enquanto no texto definitivo, você deve chamar a razão para auxiliá-lo.

Não dispense o rascunho. Ele é a primeira versão do texto. Os escritores fazem várias versões de seus textos antes de publicá-los, não seja você, um iniciante, a querer dispensá-lo. Nele há possibilidade de melhorar o seu texto, alterar palavras, construir melhor os períodos, mudar a posição dos parágrafos.

Faça um bom texto, sem excesso de criatividade, nada de grandes lances, é a recomendação, pois a banca entenderá que saiu pela tangente para não enfrentar o assunto. Você NÃO tem o direito de correr o risco de jogar no lixo o esforço de vários anos por causa de um ímpeto, de uma bobagem. Boa sorte!

 

 

 

A redação nos exames vestibulares

Prof. Hélio Consolaro

 

Se a redação de seu exame vestibular for feita no mesmo horário de outras provas, cuidado!

Sua primeira atitude ao receber a prova é ler e entender bem a proposta de redação. Perca alguns minutos nisso, pois um cochilo no seu entendimento pode lhe ser fatal.

Veja se a banca quer uma narração ou uma dissertação . Se a proposta pedir um texto em prosa, não se afobe, quer dizer que ele deva ser feito em parágrafos, nada de poema. Observe bem a quantidade de linhas. Há uma tolerância: cinco linhas a mais ou a menos.

A tendência atual é fazer da prova de redação também uma avaliação de leitura. Às vezes, os textos de apoio são uma ajuda ao estudante que conhecia pouco o assunto, outras, são uma armadilha para o vestibulando com dificuldade de leitura.

A banca dá um texto (ou vários) e pede ao vestibulando que dê sua opinião sobre o tema, que ficou implícito. Portanto ler e entender bem o(s) texto(s) não é perda de tempo.

Por que fazer a redação em primeiro lugar em vez de responder às questões? O vestibulando deve fazer o rascunho de sua redação, gastar uma hora com isso. Em seguida, partir para as questões. No final, com os olhos no relógio, reservar 30 minutos para a revisão do mesmo e escrituração do texto definitivo.

Assim, o vestibulando constrói seu texto com cabeça fria, sem ter se estressado com a outra prova. Além disso, passar a limpo o texto depois faz que o estudante ganhe distância crítica, melhore sua revisão. Isso facilita a descoberta de erros invisíveis, caso tivesse passado o texto a limpo logo após a montagem do rascunho.

 

Roteiro de correção de textos nos vestibulares

Prof. Hélio Consolaro

 

Diante da proximidade dos exames vestibulares, esta coluna continua a dar dicas sobre redação. Segue abaixo o roteiro de correção de textos:

1. A redação não pode fugir ao tema proposto. O conteúdo do texto precisa ter relação direta com o tema. Pode parecer uma regra óbvia, mas nem sempre ela é seguida.

2. É avaliada a capacidade do aluno de organizar os argumentos que fundamentarão a conclusão do texto. No caso de um texto narrativo, leva-se em conta a habilidade do autor na construção de personagens.

3. Uso adequado de conectivos (conjunções, preposições, pronomes). Para unir duas idéias contrárias, use conjunção coordenada adversativa: mas, porém, no entanto, entretanto.

4. Uso da língua na forma como ela é escrita, ou seja, é uma armadilha para o aluno o emprego de termos coloquiais, gíria e jargão. Expressões coloquiais só são aceitas na reprodução de diálogos.

5. Isso não significa que o texto tenha de ser empolado, de difícil entendimento.

6. A utilização correta dos recursos da língua. Em outras palavras, evitar erros gramaticais.



 

Como construir um texto dissertativo



Como construir um texto dissertativo

sobre Redação por Eraldo Cunegundes
eraldocunegundes@terra.com.br



Procedimentos Básicos

01. Interpretação do tema

Devemos interpretar cuidadosamente o tema proposto, pois a fuga total a este implica zerar a prova de redação;

02. Levantamento de ideias

A melhor maneira de levantar ideias sobre o tema é a auto-indagação;

03. Construção do rascunho

Construa o rascunho sem se preocupar com a forma. Priorize, nesta etapa, o conteúdo;

04. Pequeno intervalo

Suspenda a atividade redacional por alguns instantes e ocupe-se com outras provas, para que possa desviar um pouco a atenção do texto; evitando, assim, que determinados erros passem despercebidos;

05. Revisão e acabamento

Faça uma cuidadosa revisão do rascunho e as devidas correções;

06. Versão definitiva

Agora passe a limpo para a versão definitiva, com calma e muito cuidado!

07. Elaboração do título

O título deve ser urna frase curta condizente com a essência do tema.

Orientação para Elaborar uma Dissertação

·         Seu texto deve apresentar tese, desenvolvimento (exposição/argumentação) e conclusão.

·         Não se inclua na redação, não cite fatos de sua vida particular, nem utilize o ainda na 1ª pessoa do plural.
Seu texto pode ser expositivo ou argumentativo (ou ainda expositivo e argumentativo). As ideias-núcleo devem ser bem desenvolvidas, bem fundamentadas.

·         Redija na 1ª pessoa do singular ou do plural, ou fundamentadas. Evite que seu texto expositivo ou argumentativo seja urna sequência de afirmações vagas, sem justificativa, evidências ou exemplificação..

·         Atente para as expressões vagas ou significado amplo e sua adequada contextualização. Ex.: conceitos como “certo”, “errado”, “democracia”, “justiça”, “liberdade”, “felicidade” etc.

·         Evite expressões como “belo”, “bom”, “mau”, “incrível”, “péssimo”, “triste”,“pobre”, “rico” etc.; são juízos de valor sem carga informativa, imprecisos e
subjetivos.

·         Fuja do lugar-comum, frases feitas e expressões cristalizadas: “a pureza das crianças”, “a sabedoria dos velhos”. A palavra “coisa”, gírias e vícios da linguagem oral devem ser evitados, bem como o uso de “etc.” e as abreviações.

·         Não se usam entre aspas palavras estrangeiras com correspondência na língua portuguesa: hippie, status, dark, punk, laser, chips etc.

·         Não construa frases embromatórias. Verifique se as palavras empregadas são fundamentais e informativas.

·         Observe se não há repetição de ideias, falta de clareza, construções sem nexo (conjunções mal empregadas), falta de concatenação de ideias nas frases e nos parágrafos entre si, divagação ou fuga ao tema proposto.

·         Caso você tenha feito uma pergunta na tese ou no corpo do texto, verifique se a argumentação responde à pergunta. Se você eventualmente encerrar o texto com uma interrogação, esta pode estar corretamente empregada desde que a argumentação responda à questão. Se o texto for vago, a interrogação será retórica e vazia.

·         Verifique se os argumentos são convincentes: fatos notórios ou históricos, conhecimentos geográficos, cifras aproximadas, pesquisas e informações adquiridas através de leituras e fontes culturais diversas.

·         Se considerarmos que a redação apresenta entre 20 e 30 linhas, cada parágrafo pode ser desenvolvido entre 3 e 6 linhas. Você deve ser flexível nesse número, em razão do tamanho da letra ou da continuidade de raciocínio elaborado. Observe no seu texto os parágrafos prolixos ou muito curtos, bem corno os períodos muito fragmentados, que resultam numa construção primária.

Seguem alguns modelos

TEMA: “DENÚNCIAS, ESCÂNDALOS, CASOS ILÍCITOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, CORRUPÇÃO E IMPUNIDADE... ISSO É O QUE OCORRE NO BRASIL HOJE.”

Uma nova ordem

Nunca foi tão importante no País uma cruzada pela moralidade. As denúncias que se sucedem, os escândalos que se multiplicam, os casos ilícitos que ocorrem em diversos níveis da administração pública exibem, de forma veemente, a profunda crise moral por que passa o País.

O povo se afasta cada vez mais dos políticos, como se estes fossem símbolos de todos os males. As instituições normativas, que fundamentam o sistema democrático, caem em descrédito. Os governantes, eleitos pela expressão do voto, também engrossam a caldeira da descrença e, frágeis, acabam comprometendo seus programas de gestão.

Para complicar, ainda estamos no meio de uma recessão que tem jogado milhares de trabalhadores na rua, ampliando os bolsões de insatisfação e amargura.

Não é de estranhar que parcelas imensas do eleitorado, em protesto contra o que vêem e sentem, procurem manifestar sua posição com o voto nulo, a abstenção ou o voto em branco. Convenhamos, nenhuma democracia floresce dessa maneira.

A atitude de inércia e apatia dos homens que têm responsabilidade pública os condenará ao castigo da história. É possível fazer-se algo, de imediato, que possa acender uma pequena chama de esperança.

O Brasil dos grandes valores, das grandes ideias, da fé e da crença, da esperança e do futuro necessita, urgentemente da ação solidária, tanto das autoridades quanto do cidadão comum, para instaurar uma nova ordem na ética e na moral.

Carlos Apolinário, adaptado

Comentário:

O primeiro parágrafo constitui a introdução do texto (tese).
Os parágrafos segundo, terceiro e quarto constituem o desenvolvimento (argumentação — exemplificação com análise e crítica).
O último parágrafo é a conclusão (perspectiva de solução).


TEMA:
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena
(Fernando Pessoa)
Sonhar é preciso

“Nós somos do tamanho dos nossos sonhos. Há, em cada ser humano, um sebastianista louco, vislumbrando o Quinto Império; um navegador ancorado no cais, a idealizar ‘mares nunca dantes navegados’; e um obscuro D. Quixote de alma grande que, mesmo amesquinhado pelo atrito da hora áspera do presente, investe contra seus inimigos intemporais: o derrotismo, a indiferença e o tédio.

Sufocado pelo peso de todos os determinismos e pela dura rotina do pão-nosso-de-cada-dia, há em cada homem um sentido épico da existência, que se recusa a morrer, mesmo banalizado, manipulado pelos veículos de massa e domesticado pela vida moderna.

É preciso agora resgatar esse idealista que ocultamente somos, mesmo que D. Sebastião não volte, ainda que nossos barcos não cheguem a parte alguma, apesar de não existirem sequer moinhos de vento.

Senão teremos matado definitivamente o santo e o louco que são o melhor de nós mesmos; senão teremos abdicado dos sonhos da infância e do fogo da juventude; senão teremos demitido nossas esperanças.

O homem livre num universo sem fronteiras. O nordeste brasileiro verde e pequenos nordestinos, ri sonhos e saudáveis, soletrando o abecedário. Um passeio a pé pela cidade calma. Pequenos judeus, árabes e cristãos, brincando de roda em Beirute ou na Palestina.

E os vestibulandos, todos, de um país chamado Brasil, convocados a darem o melhor de si no curso superior que escolheram.

Utopias? Talvez sonhos irrealizáveis de algum poeta menor, mas convicto de que nada vale a pena, se a alma é mesquinha e pequena.”

Comentário:

A introdução encontra-se no 1° parágrafo, que faz uma espécie de síntese do texto, funcionando como uma espécie de índice das ideias e elementos que aparecerão no desenvolvimento (sebastianista, o navegador, o D. Quixote).

O desenvolvimento está nos cinco parágrafos seguintes, que retomam e explicam cada uma das ideias e elementos apresentados no inicio.

A conclusão realiza-se no último parágrafo, reafirmando a tese de que somos do tamanho de nossos sonhos e de nossas lutas por nossos ideais, sem os quais a alma seria mesquinha e pequena (e a vida não valeria a pena).

TEMA: “À busca do Brasil de nossos sonhos, travar-se-á uma longa jornada.”

Em busca do Brasil de nossos sonhos

Utopia, talvez seja este o termo que resuma os anseios de um povo que, há mais de quatro séculos, alimenta esperanças de ver seu país constituir-se em um Estado forte e humanitário.

Transformações drásticas e rápidas não correspondem ao caminho a se seguir que será árduo e penoso, entretanto os júbilos alcançados serão tão doces e temos que terão valido cada gota de sangue e suor derramado.

Muitos são os problemas (corrupção, injustiça, desigualdades...) e suas soluções existem, só não fazem parte do plano político-econômico e social a ser seguido, pois este não há. Generalizar chega a ser infantil e prematuro, mas atualmente não se tem tido conhecimento sobre uma reforma concreta e séria que vise à melhoria de vida da população e que não esteja “engavetada”, ainda em “processo de viabilização”, tal como as reformas agrária e tributária, por exemplo. A justiça no Brasil, além de paradoxal, vem a ser ilusória.

Diversidade de solos, climas, costumes, gente, vários povos misturados em um só, tantos méritos e nenhuma vitória que não tenha sido mais do que temporária. O amor à pátria a cada dia fica mais frágil quando deveria se fortalecer, então o que fazer?

Lutar, não travando guerras ou impondo violência. Reivindicar direitos e estipular deveres requer sabedoria, a liberdade de expressão foi conquistada com muito esforço e perseverança por brasileiros que queriam gritar e não se calar diante da destruição lenta e contínua de seu país.

Valorizas o nosso e melhorar o Brasil depende não da vontade de cada um, isoladamente, mas sim do desejo de todos, afinal são mais de cento e trinta milhões de pessoas com interesses diversos ocupando um mesmo país, e muitas querem vê-lo progredir, no entanto como isso será possível? Optando por um nacionalismo extremado? Talvez. Para haver mudanças é preciso que se queira mudar, um Estado politicamente organizado, quem sabe, este Estado: o Brasil.

Tatiana R. Batista

 

Como melhorar o Brasil

“E nas terras copiosas, que lhes denegavam as promessas visionadas, goravam seus sonhos de redenção”. Com estas palavras José Américo de Almeida, em seu livro “A Bagaceira”, conseguiu caracterizar um Brasil que, há quinhentos anos, mantém-se o mesmo: injusto e desigual.

Fome e miséria em meio à fartura e pujança, descontentamento e inércia presentes em um mesmo povo. Tantas contradições advêm de um processo histórico embasado em inserir o Brasil no contexto sócio-econômico mundial como um Estado dependente economicamente, subdesenvolvido tecnologicamente, sendo por isso frágil perante a soberania de um sem-número de países que desde sempre deteve o controle supremo de o quê, e como tudo deve ser direcionado.

De colônia à república, sendo monarquia ou não, a aristocracia se mantém presente, forte e imponente, segura habilidosamente “as rédeas” deste “carro desgovernado” chamado, anteriormente, de Terra brasilis. É estranho pensar que um vasto território, em que se afirma vigorar o “governo de todos e para todos” pertença na realidade a um restrito grupo que não deseja alterações de qualquer tipo, por considerar a atual situação do Brasil ideal. O ideal seria desconsiderar tais argumentos, sendo estes inválidos e inadmissíveis, uma vez que altos níveis de desemprego, corrupção, carência nos diversos setores públicos..., não correspondem ao que se espera para haver uma elevação no padrão de desenvolvimento de um país.

A globalização, tão comentada em todo o mundo, só ratifica ainda mais um processo que, aos olhos de todos, parece inevitável: a colonização do mundo, a preponderância de uns poucos Estados politicamente organizados sobre o resto do planeta. O Brasil virando colônia, principalmente, dos Estados Unidos da América. A submissão completa.

Deste ponto de vista (que pode ser o único), a situação se apresenta de forma grave. Alarmante, porém é a falta de soluções.

Pior, talvez seja a falta de interesse em mudanças. Já foram privatizadas a (Companhia Vale do Rio Doce, a Siderúrgica Nacional, logo em breve a Petrobrás e o Banco do Brasil, símbolos da soberania nacional. Vivemos em um mesmo espaço o qual cada vez mais deixa de nos pertencer, estamos enfraquecidos, o nacionalismo se enfraquece se a nação única deixa de existir. Não se pode afirmar que uma atitude revolucionária seja o melhor caminho ou o caminho certo, no entanto a passividade neurastênica da população jamais resolverá nada. O exercício da cidadania é necessária para implantar a verdadeira cidadania. Consciência política e senso de justiça o pior obstáculo a ser contornado é a alienação, consequência da ignorância que cerca a maior parte da população, sem acesso à cultura.

O primeiro passo já foi dado: conhecer os problemas e, mesmo que superficialmente, pensar a respeito. Ufanismo, utopia, sonho, perseverança e luta. A coragem precisa de esperança, o homem precisa de ambas para sobreviver e lutar. Se o povo brasileiro é naturalmente corajoso, lutemos agora para seguir em frente e firmar este país como soberano e forte que é.

Tatiana R. Batista

 

A corrupção no Brasil

Durante todo o processo de formação cultural do povo brasileiro, o trabalho nunca foi considerado uma atividade digna, a riqueza, mesmo ilícita era a grande nobreza e a comprovação da superioridade.

No período colonial, o trabalho para o português recém-chegado toma-se um ato ignóbil, explorar o bugre e o negro é a maneira de se viver numa terra nova, onde a “esperteza” de sempre tirar lucros e ganhar, mesmo através da trapaça, é considerada uma virtude.
No império e na república oligárquica, a história se repete e sempre está a favor de uma aristocracia, que desrespeita a condição humana, com suas atitudes nepóticas e de extrema fraternalidade entre os iguais mineiros e paulistas.

Nos períodos seguintes, a rede de corruptos se mostra e toma contorno urbanos, onde a população adquire maior intelectualidade e passa a exigir um maior respeito e que pelo menos se disfarcem os roubos contra nossa população de miseráveis e condicionados.

Já cansada pelos quinhentos anos de “falcatruas” justificadas e pela explosão de novas “bombas”, a cada dia a população apercebe-se. em fim, do maquiavelismo político e rejeita as soluções prontas e maternais da pátria mãe gentil.

Esperamos que, nos próximos anos, a política brasileira tome-se mais séria, rejeite o dito maquiavélico e trate o trabalho como um meio de ascensão e de dignificação do homem e não como um ato oprobriante.

Tiago Barbosa

Avaliando a redação



Aspecto estético

Observar:

a) legibilidade da letra

b) paragrafação

c) margens regulares

d) travessão

e) ausência de rasuras

Aspecto gramatical

Observar:

a) ortografia

b) acentuação

c) concordância

d) pontuação

e) colocação pronominal

f) regência verbal

Aspecto estilístico

Observar:

a) repetição de palavras

b) frases longas

c) emprego de palavras desnecessárias

d) uso inadequado do pronome "onde"

e) presença de elementos (conectivos) da língua falada.

f) Emprego repetitivo das palavras "que", "porque" e "mas"

g) prolixidade

Aspecto estrutural

Este aspecto é diferenciado para cada redação, principalmente se os gêneros forem diferentes. Esse é o aspecto principal da avaliação.

diferença entre tema e título



A DISSERTAÇÃO:DIFERENÇA ENTRE TEMA E TÍTULO

(Branca Granatic )

Introdução

Produzir um texto dissertativo, ou dissertação, consiste em defender uma idéia. É a defesa de uma tese - proposição que se apresenta com o objetivo de convencer quem lê, ou seja, o leitor. Para se alcançar tal objetivo, a organização da dissertação é fundamental. Existem, portanto, algumas instruções, as quais favorecem o ato da escrituração, que você poderá verificar agora.

O tema e o título são, com muita freqüência, empregados como sinônimos. Contudo, apesar de serem partes de um mesmo tipo de composição, são elementos bem diferentes. O tema é o assunto, já delimitado, a ser abordado; a idéia que será por você defendida e que deverá aparecer logo no primeiro parágrafo. Já o título é uma expressão, ou até uma só palavra, centrada no início do trabalho; ele é uma vaga referência ao assunto (tema). Veja a diferença entre os dois nos exemplos abaixo:

Título: A cidade e seus problemas

Tema: A cidade de São Paulo enfrenta atualmente grandes problemas.

Título: A importância da Península Arábica

Tema: Entendemos que a comunidade internacional deva preocupar-se com os acontecimentos que envolvam a Península Arábica, já que grande parte do petróleo que o mundo consome sai desta região.

Título: A criança e a televisão

Tema: Psicólogos do mundo todo têm se preocupado com a influência que determinados programas de televisão exercem sobre as crianças.

Título: As contradições na era da comunicação

Tema: Vivendo a era da comunicação, o homem contemporâneo está cada vez mais só.

Note que o tema, na verdade, como já mencionamos acima, é a delimitação de determinado assunto. Isso é necessário, pois um assunto pode ser muito extenso e, nesse caso, ao abordá-lo, você poderá se perder em sua extensão. Peguemos o assunto "ensino" como exemplo. Há muito o que escrever sobre ele, por isso convém delimitá-lo. Desse modo, obtém-se o tema. Logo, para cada assunto, há inúmeros temas.

Da mesma forma, quando os títulos são generalizados, abre-se um leque de temas a serem desenvolvidos. Para o título "A criança e a televisão", por exemplo, podemos definir um outro tema, como "A criança se encanta com os novos programas de TV criados especialmente para elas", ou ainda "Os pais, envoltos com seus problemas, não perceberam ainda o perigo da televisão para as suas crianças".

O importante é você usar a criatividade até mesmo no título de sua redação. Pense no título após o rascunho estar ponto, fica mais fácil. Assim, o estudante não se torna escravo do título.

OBSERVAÇÕES:

Quando você participar de algum concurso ou teste e tiver de fazer uma dissertação, observe a proposta e/ou instruções. Muitas vezes, já vem explicitado o tema ou título; às vezes, é sugerido apenas o assunto. O item que faltar, cabe a você elaborar.

O aspecto estético também é avaliado em qualquer teste. Com relação ao título e ao tema há algumas regras importantes: o título deve ser colocado no centro da folha, logo no início de sua dissertação, com inicial maiúscula; uma linha é suficiente para separar o título do corpo de sua redação. Nada mais deve ser acrescentado, principalmente algo que seja óbvio, do tipo "Título:"; comece diretamente pelo título (expressão escolhida por você para dar nome a sua redação), conforme orientações acima

In Técnicas Básicas de Redação, Editora Scipione.




 

incoerências



Aponte as incoerências

 

1) Havia um menino muito magro que vendia amendoins numa esquina de uma das avenidas de São Paulo. Ele era tão fraquinho, que mal podia carregar a cesta em que estavam os pacotinhos de amendoim. Um dia, na esquina em que ficava, um motorista, que vinha em alta velocidade, perdeu a direção. O carro capotou e ficou de rodas para o ar. O menino não pensou duas vezes. Correu para o carro e tirou de lá o motorista, que era um homem corpulento. Carregou-o até a calçada, parou um carro e levou o homem para o hospital. Assim salvou-lhe a vida.

Resposta: O narrador caracterizou o menino como macérrimo e, sem nenhuma justificativa ou explicação, contou que ele carregou um homem corpulento. Impossível.

 

2) No cinema, no teatro, não converse. Não mexa demais a cabeça, não fique aos beijos. Cuidado com o barulho do papel de bala, do saco de pipocas. Não os jogue no chão, quando acabar. Se o seu vizinho estiver fazendo tudo isso e incomodando, seja discreto. Peça que interrompam a sessão e acendam as luzes a fim de inibir o transgressor.

Resposta: o texto recomenda que o espectador deve ser discreto no cinema, mas se o vizinho estiver transgredindo as regras, que ele dê um escândalo. Idéias incoerentes.


Heloisa Cerri Ramos, especialista em ensino da Língua Portuguesa, do ensino Fundamental ao Médio, formadora do ensino Fundamental e Médio, assessora da área de Língua Portuguesa e de reorganização curricular, em escolas da rede pública e particular e diretora da Helos Consultoria Pedagógica




 

carta



Redação

É conveniente levar em consideração que narrativa é pra quem tem absoluta certeza que é bom mesmo quando escreve histórias e que serão levados em julgamento os componentes estruturais, o conteúdo e o estilo na condução da narração.

A dissertação é a modalidade mais escolhida, talvez pelo fato das escolas em geral preferirem apostar nela, uma vez que os outros vestibulares brasileiros indicam esse tipo específico de redação para que os vestibulando dissertem, opinem sobre determinado tema.

A carta é sempre dissertação em 1ª pessoa, não desanime. Mas não se esqueça de colocar nela : cidade, data, vocativo e assinar apenas com suas iniciais. Ela é sempre dirigida a uma pessoa de destaque, uma autoridade , e vc deverá defender um ponto de vista em relação ao que se noticie sobre aquela pessoa ou declarações, atos que tenha dada ou feito.

O pronome de tratamento senhor ou senhora substitui qualquer outra forma de pronomes, mas se vc ainda tem dúvidas, eis aí os que podem ser usados:

Os principais pronomes de tratamento são:

Vossa Alteza              V.A.         príncipes, duques

Vossa Eminência           V.Em.ª cardeais

Vossa Excelência          V. Ex.ª      altas autoridades, oficiais-generais

Vossa Magnificência V. Mag.ª     reitores das universidades

Vossa Majestade           V.M.         reis, imperadores

Vossa Santidade           V.S.         papa

Vossa Senhoria            V.S.ª        tratamento cerimonioso

Vossa Reverendíssima      V.Rev.ma     para sacerdotes

 
Profa. Esther PS Rosado
estherr@iconet.com.br
Professora de Redação e Literatura do Curso Poliedro de SJCampos e Taubaté

 

Os defeitos de um texto para vestibular


 
Os defeitos de um texto para vestibular:

a. Uso de períodos gigantescos:
Você já sabe que parágrafos grandes geram textos muito confusos, obrigando-o(a) a usar inúmeros pronomes relativos e conjunções integrantes que. Evite parágrafos assim, prefira-os com 3 a 5 linhas no máximo. O contrário ( parágrafos muito curtos) também é erro porque fragmenta idéias ( Favor considerar que, muitas vezes, se escolhe escrever por meio de fragmentação de idéias, flashes, como estilo ...)

b. Cuidado ao deslocar advérbios:
Quando você desloca um advérbio, o resultado pode ser ambíguo e, muitas vezes, ridículo:
1. Pais estão procurando filho seqüestrado pela Net.
2. "Estudante morre com tiro acidental em Ribeirão Preto."( manchete FolhaVale, 19/12/98 p.3)
3. Trouxe esta sopa para sua mãe que está doente dentro desta panela.
4. "Covas defende queda de juros urgente" ( manchete de abertura da Folha de SPaulo, 11.1.99) (Aqui houve, como se pode observar, o uso de um adjetivo ( urgente) como se fosse advérbio ( urgentemente))

c. Títulos ruins:
O título é uma espécie de carteira de identidade da redação; é sua apresentação. Portanto, bom imaginar que o título vale ouro.
Nem seu corretor do vestibular "compraria" sua redação com títulos como A reforma agrária/ A violência/ A vida atual.

d. Elegância do texto:
Muitas vezes, confundimos "elegância" com beleza, defeito básico da escola Parnasiana, aliás.
Deve-se entender "elegância"do texto nossa capacidade de levá-lo até o fim com clareza, usando bem a língua portuguesa, com capacidade de saber distribuir bem os assuntos, argumentar com correção e coerência, não fragmentá-lo desnecessariamente.

Eis aqui a proposta da Fuvest/99. Abaixo, você encontrará um texto que recebeu nota dez da Fuvest.

(FUVEST 99):
Dissertação

Como você avalia a jovem geração brasileira que constitui a maioria dos que chegam agora ao vestibular? Situada, em sua maior parte, na faixa etária que vai dos dezesseis aos vinte um anos, que características essa geração apresenta? Que opinião vc tem sobre tais características?

Para tratar desse tema, você poderá, por exemplo, identificar as principais virtudes ou os defeitos que eventualmente essa jovem geração apresente; indicar quais são os valores que, de fato, ela julga mais importantes e opinar sobre eles. Você poderá, também, considerá-la quanto à formação intelectual, identificando, aí, os pontos fortes e as possíveis deficiências. Poderá, ainda, observar qual é o grau de respeito pelo outro, de consciência social, de companheirismo, de solidariedade efetiva, de conformismo ou de inconformismo que essa geração manifesta.

Refletindo sobre aspectos como os acima sugeridos, escolhendo entre eles os que você julgue mais pertinentes ou, caso ache necessário, levantando outros aspectos que você considere mais relevantes para tratar do tema proposto, redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, apresentando argumentos que dêem consistência e objetividade ao seu ponto de vista.

Filhos do Capitalismo

Bianca Godói

É difícil generalizar essa jovem geração brasileira num país tão grande e cheio de diferenças sócio-culturais como o Brasil. Mas tomando como base a classe média, é possível fazer um perfil dessa geração filha da Globo, da Coca-cola e do Shopping Center.
A grande maioria dos jovens dessa geração vive em função de roupas de marca, comida "fast-food"e danceterias. Esses jovens passaram a infância "trancafiados"em apartamentos, jogando vídeo-game, e observaram desde cedo os pais fechando os vidros dos carros quando paravam no semáforo ao ignorarem o menino pobre que vinha pedir um trocado. E aí os jovens que tiveram essa infância são cobrados a terem uma atitude racional e crítica em relação ao mundo. Os que não conseguem fazê-lo são rotulados de alienados.
Se estes ditos "alienados"não têm uma posição mais solidária e dinâmica frente à vida, não é culpa totalmente deles. Eles foram educados assim, nasceram num mundo totalmente capitalista, aprenderam na televisão o quanto o dinheiro é importante e conviveram desde cedo com os valores invertidos.
A partir do momento que o governo , a escola, os pais e os meios de comunicação se empenharem em educar as crianças de uma forma mais próxima da realidade, quem sabe essas crianças formem uma geração de jovens muito mais conscientes da realidade, preocupados e solidários com os problemas sociais e com maiores virtudes?

Profa. Esther PS Rosado
estherr@iconet.com.br
Professora de Redação e Literatura do Curso Poliedro de SJCampos e Taubaté