Revisar nossos próprios textos
(Hélio Consolaro )
Escrevo há algum tempo, tenho
31 anos de ensino da língua portuguesa, mas não dispenso a revisão de meus
textos por uma outra pessoa, mesmo que tenha menos experiência.
Minha editora, aqui na Folha,
sabe disso, apesar de eu ser o consultor de língua portuguesa do jornal, não
dispenso revisão, leitura atenta de meus textos. Não sou infalível, meu
substrato lingüístico (italiano da Água Limpa) me trai e meus olhos são
cooptados por meu cérebro.
Recomendo isso a meus alunos,
quando devem construir o texto em sala de aula, que o colega do lado faça a
revisão. Quando o texto é feito em casa, como tarefa, recomendo-lhes que peça a
alguém que revise sua primeira versão (o rascunho): pai, mãe, irmão ou irmã.
Ou, então, faça a revisão noutro dia, deixe o texto dormindo na gaveta, tempo
suficiente para haver um distanciamento crítico.
Nos exames vestibulares, caso
redação e questões sejam feitos num só período, escreva primeiro o rascunho,
responda às perguntas e depois passe a limpo seu texto, fazendo antes uma
revisão.
Isso traz duas vantagens: o
rascunho foi feito com o cérebro descansado e ganhou um pequeno distanciamento
crítico.
Recebi um texto da leitora
Denise Casatti, araçatubense e jornalista que atua em São Paulo. Ele
prova como nossos olhos nos enganam, ou melhor, nosso cérebro. Reproduzo-o
aqui:
De aorcdo com uma pqsieusa de
uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa
etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no
lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem
pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um
tdoo.
PS: Srea que é por isso que é
tão dicífil cirrgoir nsooss pórripos txesots?
*Hélio Consolaro é professor de Redação, coordenador
deste site, cronista do jornal Folha da Região e presidente da Academia
Araçatubense de Letras.
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